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Constelações Familiares é um método terapêutico que promove a elucidação de conflitos no sistema fam

  • 26 de fev. de 2019
  • 4 min de leitura

Ao nascer, uma pessoa traz consigo características genéticas. Na maioria das vezes, os traços mais notáveis são aqueles relacionados a aspectos físicos, como fisionomia, cor dos olhos, estrutura corporal e até mesmo algumas condições de saúde. Da mesma forma, ao longo do desenvolvimento, algumas particularidades emocionais também se manifestam, como comportamento, maneira de reagir às situações e até mesmo gostos e aptidões. Quem nunca ouviu a frase "Você puxou isso do seu pai" ou "Você tem talento como sua mãe"? É comum achar que a herança dos antepassados se restringe a esses aspectos.

No entanto, nossa ancestralidade é muito mais complexa do que se imagina e pode influenciar, inclusive, alguns fatos e padrões de comportamento na vida de uma pessoa. O filósofo, teólogo e psicólogo alemão Bert Hellinger é um estudioso desse tema. Após conviver por 16 anos com a tribo dos Zulus, na África do Sul, e estudar profundamente diferentes correntes dentro da psicologia, ele chegou à conclusão que os seres humanos estão energeticamente conectados aos seus antepassados por meio de um campo morfogenético, algo como uma energia coletiva.

egundo a visão de Hellinger, essa conexão faz com que os familiares carreguem consigo informações vividas por outros parentes, mesmo que esses parentes já tenham morrido. Isso significa que a vivência dos nossos antepassados, bem como suas crenças, valores morais, traumas, doenças e segredos formaram uma espécie de memória que pode ser passada geneticamente para seus filhos, netos e bisnetos, influenciando a vida dos descendentes. Por esse motivo, é possível que alguns obstáculos recorrentes, como problemas afetivos, endividamento e até mesmo uma doença sejam, na verdade, consequências de alguma situação vivida, por exemplo, pelos bisavós.

Pode ser que você esteja um pouco confuso e tentando relacionar os problemas da sua vida com atitudes dos seus parentes. Mas é importante saber que tentar identificar e resolver essa situação sem auxílio é um caminho que dificilmente leva a uma solução. No entanto, existe um método capaz de alcançar esse entendimento e esclarecer esses emaranhamentos herdados dos ancestrais: a Constelação Familiar.


O que é Constelação Familiar

A Constelação Familiar é uma prática terapêutica utilizada para tratar questões físicas e mentais a partir da revelação das dinâmicas ocultas de uma família. Por meio da constelação familiar é possível identificar acontecimentos que, mesmo desconhecidos, podem trazer problemas para a vida de uma pessoa.


Essa prática pode ser entendida como uma terapia breve, ou seja, que não requer repetidas sessões para elucidar uma questão. Isso acontece porque a constelação familiar atua de forma energética e visa solucionar um conflito por vez. Suas dinâmicas consistem em montar o sistema familiar e entrar em contato com o campo morfogenético do sistema familiar do cliente. Esse contato possibilita identificar os motivos que possam ter ocasionado um desequilíbrio nesse sistema.

De acordo com a Associação Brasileira de Constelações Sistêmicas, a terapia de Constelação Familiar não tem o objetivo de substituir outras terapias ou se colocar acima da medicina convencional, mas sim servir de complemento e possibilitar que o indivíduo tenha conhecimento de seu sistema familiar.

Em março deste ano o Ministério da Saúde incluiu a Constelação Familiar no rol de procedimentos disponíveis no Sistema Único de Saúde. A terapia foi incluída no escopo das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) como forma de ser uma terapia complementar que pode contribuir para a saúde e bem-estar da população.


Como nasceu a Constelação Familiar

A terapia da Constelação Familiar foi criada pelo terapeuta, filósofo, teólogo e pedagogo alemão Bert Hellinger. Durante 16 anos, ele atuou como missionário na África do Sul, numa tribo Zulu, e percebeu que os integrantes da tribo possuíam uma dinâmica própria para a resolução de conflitos. "Ninguém tinha um problema na tribo. Quando algo acontecia, esse problema era de todos, não haviam fatos isolados e sim um porquê coletivo", explica o terapeuta transacional e de Constelação Familiar transacional Diego Centelhas

Após esse período, Hellinger voltou para a Alemanha e decidiu estudar de forma profunda a psicologia, tornando-se assim proficiente em diferentes tipos de terapia, como psicanálise, terapia gestáltica, análise transacional, hipnoterapia e terapia de sistemas familiares. Essas diferentes correntes, associadas a outros conceitos estudados por Hellinger, foram fundamentais para que ele chegasse ao entendimento do método de Constelação Familiar.

Nos anos 1980, então, Hellinger começou a trabalhar com constelações familiares. "Na época não era possível explicar todos os mecanismos, fazendo com que ela fosse tratada como algo místico", explica Centelhas.

Na década de 90, com o mapeamento do Genoma Humano, foi possível descobrir que os genes transmitem memórias ancestrais para gerações futuras. Essas memórias passaram a ser conhecidas em âmbito científico como memórias epigenéticas. Mais para frente o biólogo inglês Rupert Sheldrake fundamenta a teoria dos campos morfogenéticos.

No livro "Constelações Familiares - O Reconhecimento das Ordens do Amor", de Bert Hellinger e Gabriele ten Hovel, é explicado que quando uma pessoa nasce, além da herança genética ocorre uma transmissão de informações por meio dos campos mórficos. Nesses campos existe uma espécie de memória coletiva da espécie a que se pertence. E essa memória é enriquecida em cada indivíduo da espécie e cada indivíduo dessa espécie está ligado a essa memória.

"De certa forma, a teoria de Sheldrake dá embasamento científico para o que Carl Jung chamava de inconsciente coletivo", explica Centelhas. O inconsciente coletivo é uma das principais teorias de Carl Jung, na qual acredita-se que existe um conjunto de pensamentos e sentimentos compartilhados com outras pessoas. Sendo assim, a mente humana teria características inatas impressas como resultado da evolução e essas predisposições são originadas dos nossos ancestrais.

Diego conta que a partir desse entendimento a constelação familiar se tornou algo mais viável de trabalhar ao longo da história.






 
 
 

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